Quem sou eu

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Rio, Brazil
Oi, eu sou um ilustre desconhecido da mídia náutica, não dei nenhuma volta ao mundo, o máximo que já fiz foi navegar umas 400 milhas entre o Rio e Ilha Bela e arredores num Veleiro pequeno. Minha intenção é facilitar o entendimento da navegação para todo aquele que suba à bordo de qualquer embarcação. Este é o primeiro passo antes de entrar em um Curso de Navegação antes de se submeter às provas da Capitania para Habilitação de Amador. Portanto, se você quer aprender algumas coisas sobre navegação de maneira simples, ou vez por outra cambar pra bombordo em alguma tentativa de poesia: Seja Bem Vindo à Bordo!!! elmoromao@gmail.com

25/03/2011

O Sol Nasce no Leste???

A pergunta do título é bem interessante... o Sol nasce no leste?
Resposta: às  vezes sim, às vezes um pouco mais pra norte e outras vezes um pouco mais pra sul...
Se não fosse assim talvez não tivéssemos as estações do ano como primavera, verão, outono  e inverno; o sol nascia à leste no ápice do verão, bem aos 90 graus, no meio do planeta terra, mas com a enclinação do eixo da terra em relação ao plano do sol, ele vai se deslocando ora pra norte até um máximo e volta pro outro lado, sul, até atingir um máximo; estas variações fazem com que no verão aqui no hemisfério sul seja inverno no hemisfério norte; essa angulação do sol em torno do equador chama-se ECLÍTICA e ela descreve um ângulo de 23,5º para norte e para sul. Em linhas gerais este movimento de vai e vem dura um ano, onde passamos pelas estações.

Existem mais movimentos que o nosso planetinha faz do que podemos imaginar; na mecânica celeste a terra não gira em torno de seu eixo como se tivesse fixa por rolamentos, existe um movimento que todo o conjunto faz ao longo de um ano, existem outros mais excêntricos, mas isto é outro assunto...

Se o sol nasce no leste, ou perto do leste, o sul está à direita de quem vê o nascer do sol, nunca se esqueça disto!!!
Às vezes esta simples informação pode significar o rumo correto na emergência...
Abraço Grande!!!

24/03/2011

Puxa Vida!!

Ops!!!!
Desculpem... mas hoje, simplesmente vou abrir mão de parte da minha criação quase técnica... poderia escrever um texto lúdico ou quase poético; patético tavez?
E pra não ser pseudo poético, patético e nem de longe eclético, posto que certamente seria caquético vou deixar meu corpo, e mente, descansar... obrigado a você que veio aqui beber alguma coisa entremeada de osmose de mar e navegação!!!!
Abração!!!
Elmo

17/03/2011

Tsunami - Tempos de Analisar Bem os Marulhos, Vagas e Ondas

Em alguns artigos atrás conceituamos Vaga e Marulho e suas relações com a profundidade, mas vamos repetir algumas coisas que escorregaram entre os dedos e que são muito importantes. Aqui vou usar o termo ONDA genericamente, pois na prática a diferenciação entre vaga e marulho terão igual importância quando o assunto é o quanto pode afetar o "Estado do Mar". Primeiramente vamos entender o fenômeno ondulatório da onda pra definir o que é o COMPRIMENTO de onda (L): é a distância entre duas cristas ou 2 cavados, é a distância entre uma subida do barco e outra subida do barco, estamos falando do movimento do mar fora da arrebentação que os surfistas adoram e nós morremos de medo de chegar perto quando estamos num barco. é essa distância entre as cristas que nos interessam, que é o comprimento de onda.. precisamos saber qual é o comprimento de onda de modo que saibamos se será perigoso ou não se aproximar de um local cuja profundidade vai diminuindo (a costa!)

Como saber o comprimento de onda (L) se nenhum site de meteorologia nos dá? Veja aí no Climatempo, CPTEC, WindGuru... todos eles mostram o PERÍODO que é dado em segundos; sem entrar no detalhe de que período e comprimento de onda possuem relação matemática vou dar aqui uma fórmula prática pra chegar no comprimento partindo do período, já que é o comprimento de onda que nos interessa, mas porquê? Porque o estado do mar é afetado quando a profundidade é menor que metade do comprimento de onda, ou seja: a onda aumenta de tamanho!!!!!!!!!!!!! Mas como saber o comprimento de onda se os sites não nos dão?

Basta fazer uma conta assim: pegue o período e eleve ao quadrado (multiplique por ele mesmo) e multiple novamente por 1,56, o resultado é o comprimento de onda (L) em METROS.Vejamos um exemplo típico: o site informa que as onda estão na direção N/NE 2,5 a 3,0 período de 7 segundos, ou seja: ondas de 2 a 3 metros de altura na direção norte-nordeste com comprimento de onda de: 1,56X7X7=76 metros

Legal, já sei o comprimento de onda mas e daí?? Daí que se você vai rumar pra um ancoradouro de profundidade de 20 metros as ondas estarão maiores... mas quanto maiores? As ondas estarão maiores do que o site te informou, estarão maiores do que 2,5 metros, e se este ancoradouro estiver com a "boca" aberta na direção S/SW (sul-sudoeste) você vai receber o mar de "cara" com ondas maiores que 2,5 metros, mas quanto maior será a onda?  Áí vc precisa entrar num gráfico (vou tentar colar aqui, se não conseguir chamo os universitários pra me ajudar) que mostra a altura da onda em função do profundidade.

O nosso problema maior, como se não bastasse uma onda de mais de 3 metros num fundeadouro,  é saber se a onda estará ou não arrebentando (aquelas de surfista que eu falei); para esta análise é preciso entender que a onda só arrebenta quando a relação da altura dela com a profundidade extrapola os 4/3, ou seja: se a profundidade é menor que 4/3 da altura da onda,  isto significa que a altura da onda (H) cresceu tanto que ela não consegue se sustentar, pois a profundidade ficando cada vez mais rasa vai fazer com o comprimento diminua, como a energia não se perde a crista tem que aumentar, e aumenta tanto que a onda perde sustentação na crista e... desaba!!! se P<4/3H

Ou seja, se no fundeadouro que você vai com 4 metros de profundidade e a altura da onda (H) obtida do gráfico for de 5 metros ela vai quebrar... pois 4 metros é menor que 4X5/3; este é o fator que materializa a máxima do mar: ondas de longo comprimento de onda acarretam ondas enormes na costa!!!!!!!!!!

Terrivelmente verificamos recentemente um TSUNAMI que é uma série de ondas que dificilmente são percebidas em alto mar porque possuem um comprimento de onda de centenas de quilômetros e que portanto possuem uma altura de onda muito pequena e imperceptível (normalmente menores que 70 centímetros); mais distante do epicentro as ondas crescem devido ao fundo que vai se tornando mais raso, o que faz com as ondas cresçam, normalmente as maiores estão entre a terceira e a oitava onda. se vc está no mar e sabe da ocorrência de um tsunami, afaste-se da costa até a uma profundidade maior que 150 metros e a mais de 3 milhas da costa, pois a velocidade ao se aproximar da costa diminui, aumentando a altura da onda que antes era de 50 centímetros se torna maior que 20 metros.

Que isto nunca ocorra com nenhuma embarcação com pessoas a bordo!

10/03/2011

A importância do Binóculo na Noite!

Eu não vou falar aqui das características óticas e suas relações de tamanho, foco..etc..etc.. só uma introdução breve para entendimento do instrumento, pois o mais importante é o uso e vou relatar um fato verídico ocorrido numa travessia, onde o uso do binóculo teria acarretado em um stress menor, ou em nenhum stress...
O binóculo recomendado para navegação em pequenos barcos é o 7X50, ou seja: aumenta em 7 vezes a imagem e possui um campo de visão bem largo semelhante ao olho humano; diferentemente de uma luneta onde o alcance é grande mas o campo avistado é bem pequeno (bem estreito), o que significa que se você está avistando um barco a 3 milhas vais ver apenas o barco no campo de visão e não o mar em volta dele.
Um binóculo de 7X50 possui uma visão mais "larga" do ambiente visualizado do que um de 7X35, grosseiramente falando estou dizendo que se você estiver na ilha das Cagarras com uma lente de 35 vai ver somente o Arpoador, enquanto se tivesse uma lente de 50mm (milímetros) veria o Arpoador, Copacabana e Leme... muitas pessoas têm dificuldade em usar o binóculo e localizar um "alvo" imagine se você quer ver uma boia que está entre o Pão de Açucar e o forte em Niteroi (tipo a bóia preta) e está com uma luneta, você terá a vista de um monte de água o que vai dificultar a visualização do ponto no meio dos 2 morros pra achar a bóia, este é o diferencial.

A grande questão do "caso" é que em determinadas condições você DEVE usar o binóculo, vou dar o exemplo vivo do ocorrido: estávamos eu e mais 2 amigos-tripulantes (a recíproca também é verdadeira, tripulante-amigo) na travessia Rio-Angra, devíamos estar pra lá dos 24º, quase uns 40 quilômetros da costa, ou seja: num breu total; era noite e é importante deixar muito claro que saindo de perto da civilização não se enxerga NADA!!!!! TODAS as referências de terra desaparecem, a depender de quão longe esteja, nem os faróis são avistados... Nestas horas a atenção se concentra em 2 coisas:

1- Verificar o comportamento do barco em relação às ondas, que é possível ver por causa da ardentia, que é linda, (parece ano novo em Copacabana dentro da água) e foi exatamente por isto que fomos tão longe buscando um rumo mais seguro pras pancadas que o barco dava nas ondas
2- Verificar obstáculos, que normalmente são: redes de pesca e navios, normalmente se passa por cima das redes sem prejuízo para o pescador e para o barco, graças a Éolo, Netuno, Yemanjá e outras tríades de Divindades nunca me enrosquei em nehuma rede, mas navios são perigosos, se aproximam muitíssimo rápido e normalmente não nos veem, e é aí que mora o perigo...

Quando um navio está com toda máquina à vante a ardentia ajuda um pouco, poiso deslocamento de água faz com que os "bichos" fosforescentes (ou seria fluorescente??) nos mostrem o sentido, direção e a velocidade; outro ponto a ser observado, mas nem sempre fácil, é a verificação das luzes de navegação do navio, elas nos darão a direção do deslocamento do bruta-monte e aí você decide qual o melhor rumo pra evitar uma aproximação mais íntima com o "bicho". Lembrando que um rumo de colisão é: marcação constante e distância diminuindo, ou seja, ambos estão em deslocamento de modo tal que a colisão irá ocorrer mais à frente, é só uma questão de tempo!!! Na prática significa que: você observou o navio na tua bochecha de boreste e ele continua na tua bochecha de boreste sempre no mesmo ângulo de visão...  Quando estas condições são materializadas fica fácil determinar qual a alteração de rumo ou velocidade a ser feita, mas quando você avista um navio se deslocando devagar, a ardentia e a falta de visão das luzes de navegação podem induzir que o navio esteja parado... grande erro o meu... e aí você considerando que vais passar por um objeto flutuante parado pode te conduzir para uma armadilha assutadora, e foi o ocorrido, quando vimos percebemos que o navio se deslocava e bem na nossa direção, mas devagar (ufa!!!) deu tempo pra orçar um pouco mais e mais um pouco e passar vendo aquela parede de aço com seu barulho compassado do motor e gerador em baixa frequência que relembro bem nítido; nesta hora o conhecimento da angulação das velas em relação ao vento é fundamental pra fazer a manobra certa, or isso é fundamental sempre ter em mente pra qual lado você pode ir com teu barco sem fazer os panos panejarem de forma que te dê o máximo de ângulo de fuga...

O mais importante de tudo isso é o binóculo; se ao se aproximar do navio eu tivesse dado uma única espiada que fose eu saberia que ele estava em movimento e qual era sua direção e sentido, bastaria uma observação pra não nos deixar assuatados com a manobra rápida que deveria, e foi, feita.

A máxima de hoje é: nunca dispense uma olhada pelo binóculo para qualquer objeto cheio de luz que  esteja circulando perto (entenda-se: a menos de 3 milhas), isto poderá significar uma alteração de rumo pra tornar a viagem com adrenalidade desnecessária. Outro ponto que reforça esta máxima é: se não tem vento significa que sua capacidade de fuga ficará muitíssimo reduzida, portanto aumento seu raio de vigilância e a distância dos objetos que flutuam cheios de luz..... Espermos que ninguém nunca passe por este susto e que se for inevitávelque seja um susto... Abraço Grande!!!

02/03/2011

Tenho um GPS e aí? Como me Acho na Carta Náutica?

Primeiramente um aviso: é preciso conhecer o assunto para plotar na carta náutica uma posição obtida no GPS, pois do contrário você vai plotar o ponto no lugar errado!!! Vou explicar mais.

A carta náutica é impressa usando-se uma referência, se esta referência não é a mesma no qual o GPS também esteja referenciado vai acarretar em erro de plotagem; normalmente as cartas vêm referenciadas no WGS que é um padrão internacional, porém pode ocorrer que ela esteja referenciada (caso Brasil) no Córrego Alegre (em Minas Gerais) aí é fundamental que o GPS também esteja “setado” para esta mesma referência; o erro acarretado por divergências na referência não são enormes, mas o suficiente para acarretar um acidente, afinal passar a 100 metros de uma pedra pode ser significativo... portanto ao usar GPS e carta náutica certifique-se que ambos estejam na MESMA referência!!!!!!!!

Não vamos entrar no detalhe de como é construída a carta, nos meridianos, paralelos, latitudes e longitudes... o ponto aqui é: um GPS setado na mesma referência da carta, uma carta referente à região na qual está navegando e usando o GPS; obviamente iremos nos deter no ponto de que estamos no Brasil, Área Marítima Charlie (Rio, SP e sul do país), portanto estamos falando de Latitude Sul e longitude Oeste!!!!!!!!!

Para efeito de leitura da carta nesta região a LONGITUDE é lida na escala horizontal superior e inferior da carta e esta longitude cresce para a esquerda, ou seja (sempre considerando que estamos no Brasil área C) a longitude cresce para a esquerda, vou dar um exemplo: o farol da ilha Rasa no Rio está próximo longitude 43º e 8’ Oeste se deslocarmos para a esquerda para as ilhas Cagarras estaremos na longitude 43º e 11’ Oeste. A longitude cresceu ao nos deslocarmos para a esquerda, ao nos deslocarmos para oeste (abreviado pela letra W). observe que estamos falando nos pontos cardeais, Leste (E), Oeste (W), Norte (N) e Sul (S) cuja compreensão ortogonal é fundamental para sua orientação; para facilitar a orientação TODAS as cartas estão ortogonalmente orientadas neste sentido independente do desenho da costa ou orientação do mar; deste mesmo sempre teremos o alto da carta e a parte inferior orientadas no eixo norte-sul tendo a parte superior voltada para o norte, como são ortogonais (90 graus) teremos o leste (E) à direita e o oeste (W) à esquerda.

Dissemos que a longitude é lida na escala superior e inferior da carta, a LATITUDE é lida na escala vertical posta nas laterais da carta náutica. A nossa latitude é sempre Sul exceto se você estiver mais ao norte de Marajó. A latitude sempre cresce (lembrando que falo da região sul-sudeste do Brasil) ao se deslocar para o sul, ou seja, sempre que vou descendo a posição na carta a latitude vai crescendo. Assim, se eu sair de Paquetá no fundo da baía da Guanabara e for para o farol da Rasa a latitude vai crescer, PIS estou me deslocando de cima (norte) para baixo (sul) na carta.

Plotar uma posição na carta é como jogar “batalha naval” é claro que considerando o entendimento de ângulos e a contagem dos “tracinhos” nas escalas. Para exercitar o conceito colocamos uma representação da escala com alguns pontos pltados, mas antes disso vamos entender que os valores numéricos de graus e minutos podem variar de escala para escala nas cartas, pois existem cartas de grandes e pequenas escalas, lembrando SEMPRE que a navegação deve SEMPRE ser feita na maior escala, onde se tem mais detalhes do acidentes geográficos que podem representar grandes perigos.

As cartas sempre apresentam as escalas de latitude e longitude pintadas em preto e brando de forma a facilitar a visualização a cada minuto de grau, o importante é entender que um conjunto de 10 pequenos tracejados (neste caso) representam 1 minuto de grau, ou seja, 60 segundos. Nos grandes tracejados preto e branco existe uma divisão ao meio composto de 5 pequenos tracejados, portanto representam meio minuto de grau, ou 30 segundos; assim cada pequeno tracejado representam 6 segundos.

O quadriculado abaixo ajuda a identificar o ponto no eixo de coordenadas onde serão determinados a latitude e a longitude, lembrando que : latitude se lê no eixo vertical.

Os pontos plotados devem ser lidos em ordem para facilitar o entendimento, então observe o ponto”A”; se traçarmos uma vertical ele vai interceptar a escala de longitude exatamente no ponto 44ºW no retângulo preto; se deslocarmos 10 quadradinhos para esquerda neste retângulo preto encontraremos o ponto 44º e 1’W; se deslocarmos para a direita estaremos na longitude 43º e 59’W, observe que transitamos da longitude 44ºW para a longitude 43ºW. é preciso tomar muito cuidado com estas marcações pois a diferença de 1 grau pode representar 60 milhas de diferença de posição. Destacamos que distâncias na carta náutica somente devem ser tomadas na escala de latitude (escala vertical). Assim como fizemos verticalmente para achar a longitude do ponto “A” faremos horizontalmente para achar a latitude do ponto, que no caso serão exatos 23º W.

 
Entendemos que os exemplos são suficientes para o entendimento de como se plota um ponto, ou se lê um ponto na carta. Espero ter sido útil; Abração!!!