Quem sou eu

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Rio, Brazil
Oi, eu sou um ilustre desconhecido da mídia náutica, não dei nenhuma volta ao mundo, o máximo que já fiz foi navegar umas 400 milhas entre o Rio e Ilha Bela e arredores num Veleiro pequeno. Minha intenção é facilitar o entendimento da navegação para todo aquele que suba à bordo de qualquer embarcação. Este é o primeiro passo antes de entrar em um Curso de Navegação antes de se submeter às provas da Capitania para Habilitação de Amador. Portanto, se você quer aprender algumas coisas sobre navegação de maneira simples, ou vez por outra cambar pra bombordo em alguma tentativa de poesia: Seja Bem Vindo à Bordo!!! elmoromao@gmail.com

17/04/2012

Onde é o Norte? Método do Relógio

Quem não gosta de desenhar círculos no chão poderá usar o método do relógio, mais simples, consiste em você alinhar a marcação do número 12 do relógio com a direção do sol; feito isto determine a bissetriz entre o número 12 do relógio e o ponteiro das horas. No desenho abaixo o sol está representado por um poste exemplificando a marcação.


   Até com as mãos visualizando mentalmente um relógio é possível estimar a posição, o desenho em si já esclarece tudo.
Pra relembrar: bissetriz é uma reta que divide o ângulo em 2 partes iguais.
Ah: tomara que você nunca precise destas dicas!!!!!
Abraço Grande!!!
ps: estas dicas fazem partes do material de Sobrevivência em Balsa Salva Vidas (cap.42), vou colocar mais dicas aqui

16/04/2012

Onde é o Norte???

Por estes dias eu fui fazer um programa diferente de velejar, fui fazer uma caminhada no Pico da Tijuca pra relembrar os idos tempos de Montanhista. Estava acompanhado de uma trupe de pequeninos e outros não tão pequenos assim, já beirando a adolescência, e outros já bem idos dela, no caso: pais e mães. Aproveitando a minha capacidade de transmitir informação fui passeando o olhar pelo mato em busca de bichos os mais diversos, mostrei pra trupe um bando (devia ter uns 8 ou 10) de quatis, foi uma diversão ver os olhinhos brilhando de ver bicho tão bonito e tão perto solto na natureza. Gosto de fazer isso quando estou na mata, até por motivo de segurança, mais nossa do que deles (os bichos no caso!rsrs). Um gafanhoto aqui, um pica-pau ali, uma perereca do tamanho de uma unha, uma teia de aranha enorme e a conversa dos pais sobre se perder na mata... nada disso aqui não tem como se perder, a trilha é bem clara, visível, basta se manter nela, na dúvida olhe a paisagem em volta e vá pro sul, pro mar. Pronto! Instalou-se o pânico: e onde é o sul???

Quando estamos no mar isso fica fácil, sempre se tem uma bússola cravada no painel de navegação, e eu não tinha levado a minha alidade de mão (é um tipo de bússola que serve pra marcar a direção de objetos, no linguajar náutico: fazer Marcação). Se fossem 6 da matina seria fácil achar a direção mais à  leste (onde nasce o sol), mas às 10 ou 11 horas como fazer?


Existe o método da vareta, mas tens que esperar umas 3 horas pra definir os pontos cardeais, tem também o método do relógio que mais direto mas você precisa ter um relógio de ponteiro, ou desenhar um. o método da vareta é vem simples, vejamos como funciona:


Crave no chão, bem na vertical, uma vareta o mais reta possível de uns 50 centrímetros. esta vareta vai projetar uma sombra no chão; usando um barbante, ou outra vareta desenhe um círculo partindo da vareta cravada até a ponta da sombra. Vai ficar assim: uma vareta cravada na vertical no meio do círculo cuja sombra toca a linha do círculo que você desenhou. Na ponta da sombra marque o ponto onde a sombra toca o círculo, vamos chamar de ponto "A", você vai precisar deste ponto depois de umas 3 horas. 


À medida que as horas passam, o sol se desloca e a sombra também, vai chegar um momento em que a sombra terá se deslocado no círculo a um ponto distante do primeiro ponto que você marcou (o ponto "A"). Marque agora este novo ponto (ponto "B") de tal forma que tenha uma distância considerável entre o ponto "A" e "B". Trace uma linha ligando "A" e "B". No meio da linha AB marque outro ponto (ponto "C"). Pronto! Já tens condição de saber as direçoes, vejamos como: do ponto "C" até a vareta cravada no chão teremos a direção NORTE-SUL. O ponto "A" é o Oeste, o ponto "B" o leste. O ponto "C" é o sul.
Veja este desenho bem tosco aqui... 


Lembrando 2 coisas importantes: 
1- se você estiver no Canadá ou em qualquer lugar do hemisfério norte, a linha norte-sul estará invertida!!!! Pois o sol transita entre um hemisfério e outro de acordo com as estações do ano.
2- Este método é o desespero, portanto há erro de alguns graus, portanto esteja sempre equipado com as ferramentas adequadas ao esporte que você vai fazer, segurança acima de TUDO!!!!


Bem, tem também o método do relógio, mas vamos vê-lo no próximo artigo!


Abraço Grande!!!
e boas caminhadas!!! afinal não dá pra desenhar um círculo na água....rsrsrs!!!


01/03/2012

Vela 3

Bem, já sabemos que a vela se comporta feito uma asa de avião na vertical, já vimos também se o barco ficar na linha exata do vento a vela paneja (balança pra todos os lados), já vimos que a depender da direção do vento e de onde queremos chegar devemos fazer um zig zag porque senão a vela vai panejar se decidirmos ir direto contra o vento.... já vimos bastante coisas, mas agora vem a parte mais difícil, a pergunta que não quer calar: mas como eu faço isto? como faço o barco andar?

Ihh... acho que vou sair de fininho.... kakakakaka!!! como é que eu vou explicar isso aqui traduzido em texto? Vamos lá, vou tentar... vou colocar um passo a passo...

1- A primeira coisa a ser observada é o vento e sua direção, lembrando que o barco não anda de cara pro vento, portanto a primeira providência é que o barco esteja um pouco fora do ângulo exato do vento
2- deixe a vela solta até panejar, ela vai panejar alinhada na direção do vento, se o barco está um pouco fora do alinhamento do vento a vela vai panejar meio de lado e não alinhada no sentido longitudinal do barco
3- Mantenha o leme reto, fazendo com que o barco anda pra frente e não faça curvas, observe um ponto, uma referência ao longe alinhada com o barco de forma que vc possa se guiar
4- Vá caçando (puxando a cabo que controla ela - a escota)  a vela até que ela pare de bater, este é o ponto onde o barco deve andar, pois a vela vai gerar aquela força que falamos sobre o princípio da asa do avião... pronto vc já está velejando

Deste ponto em diante vc deve EXPERIMENTAR, é como se fosse um trabalho de pesquisador (recomendo que vc veja o anime Como Domar seu Dragão), experimente e veja o resultado...por exemplo:

1- mantenha o rumo na direção ao longe que vc fixou como referência e experimente afrouxar um pouco a vela, perceba que a partir de certo ponto ela paneja, pois a vela ficou na direção exata do vento, então basta caçar um pouco pra ela encher e o barco voltar a andar...
2- mantenha a vela caçada onde está e guine um pouco o leme na direção de onde o vento tá soprando, a vela vai panejar novamente, pois ao girar o barco o vela acabou por entrar no vento, e a depender de quanto vc girou a vela poderá mudar de bordo, saindo de boreste pra bombordo, ou vice-versa. Ah! cuidado com a cabeça!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! a depender do barco e da força do vento a retranca vem com uma força danada pro outro bordo!!!

Peça pro seu Comandante uma "pilotada", a depender do barco e do vento não deverá ter riscos ao barco e aos tripulantes, eu costumo fazer isto com pessoas que querem aprender; quando as condições são seguras eu costumo dar o leme na mão e dizer: vai!!! pode fazer o que quizer que nada de grave vai acontecer.... só lembrando que NÃO se deve dar o comando de uma embracação à pessoa que não possua habilitação, vc poderá estar em sérios apuros com a Capitania!!!!

Como vocês sabem isto aqui não é um tratado de navegação e nem pretende ser, mas é melhor do que vc ir totalmente cru pra uma aula prática.

Só pra lembrar algumas coisinhas importantes:
1- barcos à vela SEMPRE inclinam um pouco, caso vc se desespere não exite: entre na linha do vento  que a vela vai panejar; não se preocupe com o barulho...rsrsrs!
2- velas caçadas demais adernam (inclinam) o barco ainda mais, experimente afrouxar um pouco a escota, se a vela panejar caçe um pouquinho apenas
3- pense SEMPRE em 3D (3 dimensões) o barco a vela tem uma quilha, portanto: cuidado com a profundidade abaixo do barco), tem uma retranca que pode abrir mais do que a largura do barco (cuidado pra não ficar enganchado no cais ou varrer as pessoas), o barco tem um mastro, portanto cuidado com lugares baixos tipo pontes ou locais que tenham fiação elétrica
4- se o vento estiver acima da tua capacidade de controlar o barco não exite, chame o comandante ou rize as velas, ou seja: diminua a área vélica

Jamais se esqueça de 1 coisa: experimentar!! A coisa mais importante que a natureza deu ao ser humano é a capacidade de escolha, não tenha medo, mas PENSE!
Você vai perceber que velejar é só uma questão de percepção!!!
Grande Abraço!!!!

16/02/2012

Vela 2

Já vimos que o vento gera uma força quase perpendicular na retranca vista de cima  (travessão horizontal que pode acertar a cabeça de alguém no convés) tal qual uma asa de avião em pé no barco, mas é preciso saber posicionar a vela para que estas forças atuem a seu favor, do contrário ela ou vai ficar panejando (sacudindo pra lá  e pra cá no vento) ou ela vai ficar esticadinha toda caçada (retesada), mas o barco não vai sair do lugar...
 Quer dizer: ele vai andar pra trás sendo arrastado pelo vento, ou vai inclinar muito (adernar) porque o vento está batendo chapado na cara da vela.
O vento deve entrar pela parte da frente da vela (bordo de ataque, lembra?) pra ter o efeito que queremos, deve entrar de tal forma que a vela não fique panejando. Credo! como é difícil explicar isso em texto... melhor é marcar uma velejada...rsrsrs! mas vamos nessa! Veja se os desenhos ajudam a entender como temos que posicionar a vela em relação ao vento e em relação ao rumo que queremos no barco. Às vezes nos surpreendemos com a direção que o Comandante impõe ao barco, parece que velejadores gostar de ir nas direções mais improváveis de seu destino...
Às vezes isso não é possível ir direto onde queremos chegar porque a direção que queremos seguir é EXATAMENTE na direção de onde o vento sopra, neste caso temos que dar um desconto e ir mais pra cá ou mais pra lá, e lá na frente fazer outro zig zag, um veleiro anda “quase’ contra o vento mais não anda exatamente contra o vento, a vela paneja (lembre-se disso).
É preciso sempre gerar aquele efeito de asa de avião, lembra-se? É este efeito que deve ser dado à vela e ao rumo do barco considerando a direção do vento; o vento deve entrar sempre (ou quase sempre) na parte da frente da vela para gerar a baixa pressão na parte de trás do “pano”. Dissemos quase sempre porque com o vento vindo de popa as velas ficam mais abertas recebendo o vento em toda sua área de forma a serem empurradas pra frente.
Fizemos um desenho aqui da vela e suas partes, pelo menos algumas para se ter idéia dos nomes de cada pedaço dela. Quando  falo da parte da frente da vela me refiro à Testa da vela, é por onde o vento normalmente entra quando não estamos com vento de popa... veja a figurinha aki...
Bem, vamos devagar, vou construir um mapa situacional (gostou do termo?rsrsrs!) pra exemplificar o posicionamento da vela, do vento e do rumo do barco pra melhor entendimento, mas vou precisar desenhar, o que significa que é tarefa árdua....então fica pra semana, afinal amanhã já é carnaval... a julgar pelos blocos da semana passada acho que já começou... rsrsrsrsrs!!!
Bom carnaval a todos, divirtam-se e cuidado nas estradas e no mar, lembrando que a segurança está acima de tudo
Um Grande Abraço!!!!

12/02/2012

Vela 1

Bem, cambamos pra bombordo...
agora vamos cambar pra boreste...
Vamos falar um pouco de vento e como fazemos com as velas... independente de barco a motor ou de um veleiro é sempre bom entender um pouco de vela, ois pode ajudar a se deslocar quando estiver em apuros, o que neste caso vai significar usar um lençol, um toldo ou algo que faça com que teu bote se desloque... espero que nunca precise deste conhecimento nesta situação.

A mecânica é simples, novamente não vou me ater aos princípios físico-químicos e quase quânticos na explicação, a ideia (idéia não mais acento...rsrsrs)  aqui é ser o mais prático e simples possível, mesmo que o exemplo fique meio grosseiro, pra desconforto de alguns catedráticos...rsrsrs! Nada pessoal hein?!!!
A vela de um barco funciona como se fosse uma asa de avião só que na vertical (às vezes nem tanto na vertical assim, pra desespero da minha tripulação). No avião a asa tem um formato, digamos, plano na parte inferior e curvo na parte superior, sendo mais grosso na parte da frente (aeronautas chamam bordo de ataque) e mais fino na parte de trás.
Algo mais ou menos assim exagerando um pouco a proporção e dando um desconto aqui pro péssimo desenhista... rsrsrs!








A função da asa do avião é sustentar a aeronave no ar (não estou considerando os Caças que tem uma asa cujo maior objetivo é cortar a resistência do ar), se o motor desligar ele deve planar o mais que possível. Então vamos imaginar o comportamento do ar quando a asa corta o vento, imagine 2 partículas de ar na frente da asa, no bordo de ataque, ao se deslocar as duas partículas vão fazer caminhos diferentes: uma vai pela parte de cima da asa e outra vai por baixo. Ao final da asa, as duas partículas de ar chegarão ao mesmo tempo no final da asa (bordo de fuga). Percebe-se pelo desenho que a partícula de ar que se desloca na parte de cima da asa vai percorrer um caminho maior do que a partícula que se deslocou pela parte de baixo, entretanto as duas chegam ao mesmo tempo no final da asa; este fenômeno acarreta em que na parte de cima da asa será gerada uma pressão menor que na parte de baixo da asa.
Se na parte de cima da asa temos uma pressão menor que na parte de baixo então todo o conjunto (a asa) vai tender a se deslocar pra cima, no sentido da direção da baixa pressão;  isso faz com que o avião tenha a tendência de subir, a asa empurra o avião pra cima.








Coloque agora esta asa na vertical dentro de um barco, com a parte mais “gorda” pra frente (na proa) e a parte mais fina na popa.



Agora vamos também trocar o nome de asa para vela, mas o efeito é o mesmo, o vento entrando na “cara” da vela vai fazer com ela se desloque no sentido da parte mais longa da curvatura, vai fazer com que o barco se desloque de lado se a vela estiver quase no mesmo sentido longitudinal do barco. Veja esta figura horrível abaixo... (a vela ficou muito fechada, desse jeito o barco nem anda pra frente.... putz! depois melhoro o desenho, o importante é entender a essência)


Para que o barco não saia andando de lado colocou-se uma placa grande e chata no fundo, a quilha, para que com a pressão da água ele não se desloque de lado... a resultante destes vetores de força, fazendo a derivada do momento e dividindo pela integral tripla do tamanho em milímetros da quilha...kkkk!!!! a resultante da vela fazendo força pro barco andar de lado e a quilha fazendo com ele NÃO ande de lado, é um movimento pra frente, ou quase isso!!!!!
Mas o que fazer com a vela no vento de forma que o barco ande pra onde queremos???
No próximo eu falo mais algumas coisas... vou precisar desenhar... e isso não é meu forte...rsrsrsrs!!!
Só pra lembrar: tudo que escrevemos aqui, neste e em outros "post" são ao máximo simplificados para um entendimento fácil, vez por outra alguém faz uma crítica (construtiva é claro) que "a coisa" não é bem assim... isso aqui é como um tira gosto..vai comendo...comendo e no fim experimentou de tudo e conhece pelo menos o sabor de cada "coisa"...rsrsrs!!!!
Grande Abraço e um Abraço Grande!!!!