Quem sou eu

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Rio, Brazil
Oi, eu sou um ilustre desconhecido da mídia náutica, não dei nenhuma volta ao mundo, o máximo que já fiz foi navegar umas 400 milhas entre o Rio e Ilha Bela e arredores num Veleiro pequeno. Minha intenção é facilitar o entendimento da navegação para todo aquele que suba à bordo de qualquer embarcação. Este é o primeiro passo antes de entrar em um Curso de Navegação antes de se submeter às provas da Capitania para Habilitação de Amador. Portanto, se você quer aprender algumas coisas sobre navegação de maneira simples, ou vez por outra cambar pra bombordo em alguma tentativa de poesia: Seja Bem Vindo à Bordo!!! elmoromao@gmail.com

12/05/2012

Cambando pra Bombordo: Água!

É como eu já disse antes: às vezes é preciso cambar pra Bombordo! 
Faz bem pra alma, exercita o espírito e, como é bombordo, massageia o coração que é do lado esquerdo... se fosse Boreste seria o lado direito.

Acho que todo navegador sempre "Camba pra Bombordo", do contrário seria pedestre, não há como estar no mar sem sentir alguma coisa do lado esquerdo, mesmo que seja medo de não continuar a boiar; no fundo são coisas de quem está no mar, coisas de Barco, coisas de quem está na água.
No fundo a verdade é uma só: viemos da água, vivemos da água e, como somos feitos de água, voltaremos pra ela, mesmo que alguns digam que voltaremos ao pó! 

Como de se ainda me lembro quando mãe cantava e o som parecia tênue, quase uma penumbra de translúcido destorcido pela água? Como PÓde voltar ao PÓ se da água viemos? Você lembra?

Você lembra daquela água quentinha que não fazia barulho porque era impossível algum ar estar ali?
Você sabe que aquela água, aminiótico líquido, era só pra nos acalentar e materializar em nós a força de vencermos uma inércia nos nossos próprios movimentos de se expandir, se espreguiçar de preguiça num esticar de braços e pernas, quase um querendo sair... você lembra? Era tudo água pra deixar brando os movimentos, brando o som, branda a claridade e inerte os nossos pulmões. Era tudo água, e foi ela quem primeiro veio ao mundo. No teu nascer foi a água quem primeiro viu o oxigênio do mundo, depois, te chamando pra fora te inundou de ar! Oxigênio e alma aproveitaram pra te dar nome e sobrenome, nascemos num grito! Talvez fossem 2 gritos: um de alegria e outro de espanto! Foi a água quem te trouxe ao mundo!

Agora, nessa alma irrequieta, busca de novo o teu elemento vital: água de quem fui, pra água voltarei!
Você lembra? Géia, agora me vou, porque Cronos somos todos nós e tu és nossa Deusa, posto que o planetinha azul é todo Água!

Pra todas as Géias o meu braço tão amplo quanto o meu abraço!
Pra todas as Géias, mães que são, toda a água salgada que escorre dos meus olhos na tentativa de te devolver uma gota da qual nos criaste. 
Parabéns Mãe minha, a tua, e que um dia na água salgada dos mares, ou aquela tão doce filtrada na pedra, possamos lembrar das cantigas que nos ensinaram a boiar mesmo sem ter tido, ainda,  nome.
Parabéns Géia, Mãe minha, tua, e de todos nós!!!

Abraço Grande!!!
Elmo

10/05/2012

Medindo Ângulos - quem não tem cão caça como gato

Como diz o ditado: "Quem não tem cão, caça como gato", ou seja: se vira com o que tem!
É bastante comum alguns Comandantes não terem Sextante a bordo, só aqueles que efetivamente se vão por esses, e aqueles, mares afora; eu não tenho, afinal desembolsar uns 5 mil Reais não é investimento pra quem quer somente treinar numa viagem do Rio pra Angra, mas mesmo numa viagem curta desta é interessante ir plotando as marcações fazendo uma navegação estimada.. algo do tipo:
1- De onde estou navegando vejo 2 ilhas que fazem um ângulo de 30 graus com o meu barco, ou
2-  Avisto um farol que na carta náutica possui 10 metros de altura, na distância esta altura aparece com uma angulação de 10 graus em relação ao nível do mar
Como fazer isto sem um Sextante?
Há algum tempo eu vi um filme, baseado em fatos reais, de um piloto de um monomotor que teve seu equipamento de navegação avariado quando ele fazia uma navegação noturna sobre o mar, o único contato externo que ele dispunha era um VHF, cujo alcançe é limitado (tipicamente 20 milhas). Ao amanhecer ele conseguiu contato com um avião de carreira que teoricamente estava também na mesma área em que ele, mas o contato visual era impossível.

Na conversa entre os 2 pilotos o Comandante da avião de carreira disse que iria largar uma fumaça de forma que o monomotor pudesse ver e aí seguiria o avião até o aeroporto. A tentativa foi em vão, os 2 aviões estavam muito distante um do outro, mas ambos não sabiam disso, o comandante do avião de carreira, macaco velho, disse ao monomotor que ia baixar de altitude e fazer um enorme traço de fumaça no sentido norte-sul; de nada adiantou, eles não se viam; o comandante do avião de carreira resolve participar aos passageiros que iria arasar a chegada ao aeroporto, pois havia uma emergência e ele era o único elo entre a vida e a morte daquele piloto no monomotor, então ele faz mais outra tentativa de jogar fumaça no ar combinando que ambos os aviões deveriam se dirigir pra leste e baixar mais ainda a altitude, o que fazia com que o combustível fosse acabando além da conta que o J.Carlos (meu amigo Engenheiro de Vôo) calculara; ambos estavam no limite.

A situação fica quase insustentável na tentativa de orientar o piloto do monomotor até o comandante do avião de carreira se dá conta de um detalhe: o monomotor pode não estar me vendo porque está na minha frente, então pra ter certeza ele pede ao piloto do monomotor pra dizer qual é o ângulo em que ele vô o sol, e aí descobre que o monomotor está vendo o sol num ângulo menor que o avião de carreira. Como ele fez isso? 
Com a mão!!!

Usando somente as mão e os braços esticados podemos medir ângulos e ter uma idéia bem grosseira de onde estamos, mesmo que você seja alto ou baixo o corpo humano mantém uma proporção entre o tamanho da mão e o comprimento do braço.

Basta esticar o braço e medir o ângulo usando os dedos, ou o punho; por exemplo:
o símbolo dos metaleiros que é feito dom a mão fechada e somente o dedo indicador e o mínimo aberto mede 15 graus. veja a figura que ajuda bastante... 


Da próxima vez que for navegar use este método pra tua navegação estimada, além de fazer um sucesso danado entre a tripulação é a alternativa pra quem não tem cão... caça COMO gato, ou seja, com a mão!!!! rsrsrsrsrs!!!
Abraço Grande!!!         

17/04/2012

Onde é o Norte? Método do Relógio

Quem não gosta de desenhar círculos no chão poderá usar o método do relógio, mais simples, consiste em você alinhar a marcação do número 12 do relógio com a direção do sol; feito isto determine a bissetriz entre o número 12 do relógio e o ponteiro das horas. No desenho abaixo o sol está representado por um poste exemplificando a marcação.


   Até com as mãos visualizando mentalmente um relógio é possível estimar a posição, o desenho em si já esclarece tudo.
Pra relembrar: bissetriz é uma reta que divide o ângulo em 2 partes iguais.
Ah: tomara que você nunca precise destas dicas!!!!!
Abraço Grande!!!
ps: estas dicas fazem partes do material de Sobrevivência em Balsa Salva Vidas (cap.42), vou colocar mais dicas aqui

16/04/2012

Onde é o Norte???

Por estes dias eu fui fazer um programa diferente de velejar, fui fazer uma caminhada no Pico da Tijuca pra relembrar os idos tempos de Montanhista. Estava acompanhado de uma trupe de pequeninos e outros não tão pequenos assim, já beirando a adolescência, e outros já bem idos dela, no caso: pais e mães. Aproveitando a minha capacidade de transmitir informação fui passeando o olhar pelo mato em busca de bichos os mais diversos, mostrei pra trupe um bando (devia ter uns 8 ou 10) de quatis, foi uma diversão ver os olhinhos brilhando de ver bicho tão bonito e tão perto solto na natureza. Gosto de fazer isso quando estou na mata, até por motivo de segurança, mais nossa do que deles (os bichos no caso!rsrs). Um gafanhoto aqui, um pica-pau ali, uma perereca do tamanho de uma unha, uma teia de aranha enorme e a conversa dos pais sobre se perder na mata... nada disso aqui não tem como se perder, a trilha é bem clara, visível, basta se manter nela, na dúvida olhe a paisagem em volta e vá pro sul, pro mar. Pronto! Instalou-se o pânico: e onde é o sul???

Quando estamos no mar isso fica fácil, sempre se tem uma bússola cravada no painel de navegação, e eu não tinha levado a minha alidade de mão (é um tipo de bússola que serve pra marcar a direção de objetos, no linguajar náutico: fazer Marcação). Se fossem 6 da matina seria fácil achar a direção mais à  leste (onde nasce o sol), mas às 10 ou 11 horas como fazer?


Existe o método da vareta, mas tens que esperar umas 3 horas pra definir os pontos cardeais, tem também o método do relógio que mais direto mas você precisa ter um relógio de ponteiro, ou desenhar um. o método da vareta é vem simples, vejamos como funciona:


Crave no chão, bem na vertical, uma vareta o mais reta possível de uns 50 centrímetros. esta vareta vai projetar uma sombra no chão; usando um barbante, ou outra vareta desenhe um círculo partindo da vareta cravada até a ponta da sombra. Vai ficar assim: uma vareta cravada na vertical no meio do círculo cuja sombra toca a linha do círculo que você desenhou. Na ponta da sombra marque o ponto onde a sombra toca o círculo, vamos chamar de ponto "A", você vai precisar deste ponto depois de umas 3 horas. 


À medida que as horas passam, o sol se desloca e a sombra também, vai chegar um momento em que a sombra terá se deslocado no círculo a um ponto distante do primeiro ponto que você marcou (o ponto "A"). Marque agora este novo ponto (ponto "B") de tal forma que tenha uma distância considerável entre o ponto "A" e "B". Trace uma linha ligando "A" e "B". No meio da linha AB marque outro ponto (ponto "C"). Pronto! Já tens condição de saber as direçoes, vejamos como: do ponto "C" até a vareta cravada no chão teremos a direção NORTE-SUL. O ponto "A" é o Oeste, o ponto "B" o leste. O ponto "C" é o sul.
Veja este desenho bem tosco aqui... 


Lembrando 2 coisas importantes: 
1- se você estiver no Canadá ou em qualquer lugar do hemisfério norte, a linha norte-sul estará invertida!!!! Pois o sol transita entre um hemisfério e outro de acordo com as estações do ano.
2- Este método é o desespero, portanto há erro de alguns graus, portanto esteja sempre equipado com as ferramentas adequadas ao esporte que você vai fazer, segurança acima de TUDO!!!!


Bem, tem também o método do relógio, mas vamos vê-lo no próximo artigo!


Abraço Grande!!!
e boas caminhadas!!! afinal não dá pra desenhar um círculo na água....rsrsrs!!!


01/03/2012

Vela 3

Bem, já sabemos que a vela se comporta feito uma asa de avião na vertical, já vimos também se o barco ficar na linha exata do vento a vela paneja (balança pra todos os lados), já vimos que a depender da direção do vento e de onde queremos chegar devemos fazer um zig zag porque senão a vela vai panejar se decidirmos ir direto contra o vento.... já vimos bastante coisas, mas agora vem a parte mais difícil, a pergunta que não quer calar: mas como eu faço isto? como faço o barco andar?

Ihh... acho que vou sair de fininho.... kakakakaka!!! como é que eu vou explicar isso aqui traduzido em texto? Vamos lá, vou tentar... vou colocar um passo a passo...

1- A primeira coisa a ser observada é o vento e sua direção, lembrando que o barco não anda de cara pro vento, portanto a primeira providência é que o barco esteja um pouco fora do ângulo exato do vento
2- deixe a vela solta até panejar, ela vai panejar alinhada na direção do vento, se o barco está um pouco fora do alinhamento do vento a vela vai panejar meio de lado e não alinhada no sentido longitudinal do barco
3- Mantenha o leme reto, fazendo com que o barco anda pra frente e não faça curvas, observe um ponto, uma referência ao longe alinhada com o barco de forma que vc possa se guiar
4- Vá caçando (puxando a cabo que controla ela - a escota)  a vela até que ela pare de bater, este é o ponto onde o barco deve andar, pois a vela vai gerar aquela força que falamos sobre o princípio da asa do avião... pronto vc já está velejando

Deste ponto em diante vc deve EXPERIMENTAR, é como se fosse um trabalho de pesquisador (recomendo que vc veja o anime Como Domar seu Dragão), experimente e veja o resultado...por exemplo:

1- mantenha o rumo na direção ao longe que vc fixou como referência e experimente afrouxar um pouco a vela, perceba que a partir de certo ponto ela paneja, pois a vela ficou na direção exata do vento, então basta caçar um pouco pra ela encher e o barco voltar a andar...
2- mantenha a vela caçada onde está e guine um pouco o leme na direção de onde o vento tá soprando, a vela vai panejar novamente, pois ao girar o barco o vela acabou por entrar no vento, e a depender de quanto vc girou a vela poderá mudar de bordo, saindo de boreste pra bombordo, ou vice-versa. Ah! cuidado com a cabeça!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! a depender do barco e da força do vento a retranca vem com uma força danada pro outro bordo!!!

Peça pro seu Comandante uma "pilotada", a depender do barco e do vento não deverá ter riscos ao barco e aos tripulantes, eu costumo fazer isto com pessoas que querem aprender; quando as condições são seguras eu costumo dar o leme na mão e dizer: vai!!! pode fazer o que quizer que nada de grave vai acontecer.... só lembrando que NÃO se deve dar o comando de uma embracação à pessoa que não possua habilitação, vc poderá estar em sérios apuros com a Capitania!!!!

Como vocês sabem isto aqui não é um tratado de navegação e nem pretende ser, mas é melhor do que vc ir totalmente cru pra uma aula prática.

Só pra lembrar algumas coisinhas importantes:
1- barcos à vela SEMPRE inclinam um pouco, caso vc se desespere não exite: entre na linha do vento  que a vela vai panejar; não se preocupe com o barulho...rsrsrs!
2- velas caçadas demais adernam (inclinam) o barco ainda mais, experimente afrouxar um pouco a escota, se a vela panejar caçe um pouquinho apenas
3- pense SEMPRE em 3D (3 dimensões) o barco a vela tem uma quilha, portanto: cuidado com a profundidade abaixo do barco), tem uma retranca que pode abrir mais do que a largura do barco (cuidado pra não ficar enganchado no cais ou varrer as pessoas), o barco tem um mastro, portanto cuidado com lugares baixos tipo pontes ou locais que tenham fiação elétrica
4- se o vento estiver acima da tua capacidade de controlar o barco não exite, chame o comandante ou rize as velas, ou seja: diminua a área vélica

Jamais se esqueça de 1 coisa: experimentar!! A coisa mais importante que a natureza deu ao ser humano é a capacidade de escolha, não tenha medo, mas PENSE!
Você vai perceber que velejar é só uma questão de percepção!!!
Grande Abraço!!!!